Uma conversa sobre o lançamento do livro que conta a trajetória de Katalin Karikó começa em um vilarejo na Hungria pós-guerra. Filha de açougueiro, ela cresceu em uma casa simples, sem água encanada e com eletricidade limitada. Sua admiração pela natureza, presente desde a infância, tornou-se a semente que fez florescer a vocação para a ciência. Movida por uma determinação inabalável, ingressou na melhor universidade da Hungria, a Universidade de Szeged, e ao seu instituto de pesquisa mais prestigiado. No entanto, quando sua pesquisa não conseguiu financiamento, obrigou-se a atravessar fronteiras, mudando-se com a família para os Estados Unidos. Em meio a décadas de descrédito, condições precárias de trabalho e ameaças de deportação, seguiu perseguindo uma ideia considerada improvável: transformar o futuro da medicina por intermédio do RNA mensageiro. Karikó dedicou mais de 30 anos de pesquisa à molécula que muitos ignoravam e seu esforço culminou na tecnologia que possibilitou as vacinas de covid-19, abrindo caminho para um futuro de tratamentos inovadores. Sua história é um testemunho da fé incondicional no poder da ciência.